1 de novembro de 2015

Porque eu escolhi ser administradora

(ou como eu vejo a Administração no Brasil atualmente).

Essa crônica foi encomendada. Para ser bem sincera, eu nunca tinha pensado seriamente sobre "a minha visão sobre a administração e a selva capitalista", nas palavras do meu orientador de monografia, e concordo ser um exercício interessante.

Na verdade, todos deveriam pensar um pouco sobre suas escolhas academico-profissionais.

Hoje eu sou estagiária de Gente&Gestão em uma das maiores indústrias brasileiras, já passei por um grande banco público, por uma pequena empresa de T.I. e pela Empresa Jr de administração. Não vou dizer que tenho um currículo invejável ou sou o futuro da gestão no país, mas tenho certeza que já cheguei muito longe para os meus vinte e poucos (e antes de sair da Universidade).

Quando eu passei para Adm, em 2011, eu não fazia ideia do que estava fazendo ali. Odiava de todo coração todos os professores inúteis de finanças - essa ainda é a maior lacuna na minha formação, tinha sérios problemas de identificação, nunca tive uma galera da faculdade ou algo assim. E até um ou dois semestres atrás, eu nunca me considerei Gestora e estava procurando loucamente a primeira oportunidade de largar aquilo tudo, mesmo sem saber para onde ir (minha matrícula em Jornalismo continua trancada).

E esse é, provavelmente, o sentimento da maioria dos bacharelando em Administração, tanto que o curso de adm tem fama de ser o "curso para quem não sabe o que fazer". Apesar de tudo, eu tinha um plano: independência financeira e trabalhar com comércio exterior e internacionalização. Porque eu não tentei Relações Internacionais? Interferência da família nem sempre é uma coisa boa.

Eu sei que a faculdade de administração não é bem assim e que meus objetivos eram bem generalistas, mas nesses cinco anos de faculdade, consegui certa independência financeira, trabalhei muito, perdi muita matéria por causa do trabalho, perdi muita noite de sono estudando, abandonei alguns hobbies (que não deveria ter largado); e agora estou em uma empresa que me permite uma carreira internacional. Sou feliz com minha vida profissional? Em parte.

Confesso que perdi um pouco em qualidade de vida (Sdds tempo pro Pilates), que comecei a entender alguma coisa de cervejas, que não tenho tempo para alguns projetos que queria muito tocar, e que outros caminhos estão surgindo no horizonte e talvez eu não tenha um futuro no mundo corporativo (prova do mestrado, me ame), mas isso é outra pauta.

O fato é que quando as pessoas me perguntam o que eu acho da administração hoje, minha única resposta é que os administradores não acreditam no que fazem e o mercado não acredita na administração. Hoje, o que eu considero a maior vantagem de Administração é ser um curso que permeia todas as áreas de todos os três setores da economia; e a maior desvantagem é que o mercado brasileiro não acredita que somos necessários.

De todas as empresas que eu passei (empresa Jr não conta), nenhuma delas tinha um gestor formado em Administração - ou que se quer tentasse aprender - e de todas elas, apenas a multinacional acredita que gestão é algo fundamental. E são os administradores que me deixam mais fula com esse mundo - além de alguns professores que a gente se bate pelo caminho. A gente (porque infelizmente eu tenho que me incluir), não se valoriza, acreditamos que engenheiros e advogados e qualquer um é melhor que nós, além de proclamarmos aos quatro ventos o quanto somos supostamente inúteis.

Já ouvi isso várias vezes na Universidade e vejo no mercado de trabalho muitas pessoas que tem outra formação acadêmica e consegue ser um bom administrador, conheço inúmeros engenheiros que manjam de gestão e isso é um ponto positivo e negativo da área: Muitos podem ser engenheiros e gestores, por exemplo, mas nós não podemos ser gestores e engenheiros.

Acredito que saímos tão frustrados da Universidade - pelas grades mal elaboradas e professores que não deveriam lecionar - que falta esse interesse em aprender além da cartilha. Aprender qualquer outra coisa em outras áreas, ter o interesse de se jogar em outros mundos, apanhar um pouco e aprender muito mais. Ficamos conformados com salário mínimo e papelada. Aceitando sempre que "o curso de administração não serve para nada".

Nunca sai da minha Universidade, em um estado pequeno do Nordeste; Também nunca sai do mercado de trabalho Sergipano, mas espero de coração que lá fora, meus cinco anos ralando na faculdade tenham mais credibilidade.

Eu também espero que no momento que a Gestão perca toda credibilidade comigo, eu tenha a coragem de mudar. De procurar outro curso, outra área de trabalho, linha de pesquisa... o que seja. E que eu consiga deixar espaço para quem realmente acredita no que faz.


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