29 de janeiro de 2014

Vamos dar um rolé!?

Já é um assunto bem batido nessa mídia brasileira que diz o que quer e Nunca escuta o que não quer. Maaaas, gente, para quê tanto auê?

Imagina comigo: Você chama os seus amiguinhos e vai fazer sua festa de aniversário naqueles parks que tem dentro do shopping. É só um aniversário, mas tem aquele tio insuportável que adora uma birita. No meio da festa, ele levanta e diz que a tia do seu pai é uma solteirona gorda. A ofendida começa a atirar docinhos e refrigerante no bêbado. A briga vira uma confusão que termina em "entre mortos e feridos salvaram-se todos".

Agora, pensa em uma festa para mil convidados, em um espaço que não foi projetado para isso. Além das mil pessoas que deveriam estar ali, chegaram outros 50 que viram o tumulto e foram ver do que se tratava e não tinham nada a perder em "animar a situação". Resultado: CONFUSÃO.

Sei que é uma comparação bem esdruxula, mas eu acredito que é disso que os ROLEZINHOS se tratam: De festas. Festa da periferia, de gente de cor, de gente brasileira.

A grande questão é que nem todo mundo foi realmente convidado, nem todo mundo vai para se divertir. Não vou dizer que não ouve bagunça e que tudo é um mar de rosas, mas eu fico realmente chateada com a dimensão que a mídia dá a questão. As manchetes sempre começam com: GRUPO DE JOVENS FAZEM ARRUAÇA EM SHOPPING.

O centro da discussão sempre vai ser o shopping que foi invadido e as pessoas que estavam comprando e se sentiram incomodadas. 

Acabou.

Ninguém se pergunta o que levou essas pessoas até lá. Ninguém lembra que no país malditamente violento que vivemos, uma das opções de "lazer seguro" é o Shopping. Pare e pense: onde, além do Shopping da sua cidade, você tem a liberdade e facilidade de ir a qualquer hora do dia? Tomar um sorvete, ver um filme e voltar para casa, usando transporte público. ONDE?

O Brasil não tem opções de cultura acessíveis a todos. Também não há educação para os jovens desejarem consumir cultura. Nem segurança para ir-mos aos parques públicos passear de bicicleta e comer pipoca... E ninguém sabe como reagir quando a única opção de lazer vira point para TODO MUNDO.

O problema não foram os furtos, não foram os tumultos. O problema foi o que sempre esteve debaixo do tapete da classe média sair da periferia e exigir o direito de frequentar os mesmos lugares que os outros. O problema foi o governo perceber que não há ocupação para nossa juventude e, principalmente, o problema é o espaço elitizado virar palco de funk, de dança, de todo mundo.


No meio de tanto falatório, ninguém quer discutir o que realmente importa: Como dá opções a nossos jovens. Como treinar a polícia para lidar com todo tipo de situação de forma humana. Quais lacunas da educação brasileira precisam ser preenchidas. Qual a diferença entre flash mob e rolezinho?


Demorei para tocar no assunto por que, além de estar bastante atarefada, não queria que meu questionamento fosse levado pela maré de informações. Não tenho a intenção de ser mais uma notícia chata sobre os acontecimentos, mas poder falar o que eu penso, longe do calor da discussão.

3 comentários:

  1. Sim e não.
    Moro em zona periférica de uma cidade com estrutura péssima, estudei durante toda minha vida em escola pública e por participar de trabalhos voluntários, posso enxergar de perto que existe sim alternativas. Por exemplo: Todas as escolas do estado, aos finais de semana, ficam apertas para realização de atividades culturais. São exibidos filmes, ficam disponível bolas e quadras, tem gente contando história ... existe até um programa que estudantes de faculdade particular, se torna-se voluntário para realizar essas atividades ao finais de semana, ficam isento da mensalidade. A prefeitura disponibiliza diversos cursos de especialização profissional de graça + auxílio, voltado aos adolescentes de renda baixa e acredite, tem cursos que são trancados por falta de gente para participar. Os C.E.U's disponibilizam vários cursos em diversos dias e horários, para qualquer pessoa. Eu mesma comecei a fazer teatro pelo C.E.U e o suporte é equivalente a um curso pago.
    Normalmente, não sou de defender nosso sistema podre, mas nesse caso levanto minha mão para defender nessa questão, pois ok se comparado com o tamanho da população são poucas alternativas, mas existem sim. O que não adiante é essa galera levantar bandeira de "falta acesso a cultura aonde eu moro" sendo que existem alternativas. E convenhamos, diante de muita reportagem de li/assisti os tais "rolezeiros" não estão fazendo isso como forma de protesto, mas sim uma verdadeira festa de azaração. E como foi citado, as coisas começam de forma tranquila, mas logo aparece um para começar a bagunça, o que acaba complicando tudo.
    E acredito que existe algo muito além dessa falsa desculpa de "falta de cultura" que esse pessoal diz procurar. De todo modo, é um assunto muito complicado e que precisa ser colocado em mesa, para uma solução, porque os problemas já sabemos: Falta valorização pela nossa cultura, pela nossa história, falta investir mais em estudo público, falta policiamento humano ...

    Ai, eu falo de mais . Mas queria deixar aqui um pouquinho do que penso sobre isso, espero não ter sido chata de mais, haha *---*

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    Respostas
    1. Concordo tbm. Eu não deixei isso claro no texto, mas também não acho que rolezinho seja protesto. É festa e pronto.

      A questão que eu queria destacar não é o evento, mas o que levou a ele. Se os jovens tivessem formação de qualidade não ia precisar fazer isso por nenhum motivo. Iriam, por exemplo, para a praça do bairro ligar o som do carro e desligar antes das 10 da noite por ter conhecimento da lei do silêncio... percebe a diferença?

      Meu problema não é evento, mas o que levou a ele e a forma que estão lidando com a situação.

      :*

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  2. É um assunto muito polemico, mas sabe tudo tem um limite isso pode fazer parte da cultura mas quem trabalha nos shopping também tem o direito de trabalhar sem a preocupação de que lhe possa acontecer alguma coisa.
    Tudo é licito desde que não vá de encontro com o direito do outro.
    beijos amei o post.

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