2 de novembro de 2013

Deslembrança

Esse não é um texto sobre aquele livro que, aliás, eu nem li. É sobre nós. Não sobre eu e você, mas sobre eu e vocês. É sobre pessoas e sua incrível capacidade de sair de fininho ou permanecer tatuado, preferencialmente, na testa.

Eu me apaixonei pela pessoa errada.

Como naquela música chata que nós odiamos juntos, eu me apaixonei por você. De todo o coração e da forma insensata que só você é capaz.

E no fim, de tudo e de todos, você era o único que me correspondia da forma que eu queria. Você me amou, não tenho dúvidas, mas de forma completamente diferente do que se espera dos casais tradicionais.

Você tem mil defeitos, mas eu escondi meu remorso atrás de um sorriso gentil ao perguntar como foi sua semana. Você me olhava com uma cara engraçada quando eu falava dos garotos que eu saia e balançava a cabeça como se reprovasse minha suave leviandade.

Você me contava suas loucuras amorosas e eu ria da sua falta de juízo e seu abandono desmedido. Você sempre se jogou de cabeça, sem paraquedas, sem amarras e eu aqui em baixo esperando para consolar seus arrependimentos e dizer que você deveria ser cauteloso.

Eu achava você um cara mais excêntrico do mundo! E era exatamente isso que eu precisava de você. Daquele sorriso esquisito, das vezes que me arrastou de casa para ver o céu azul ou de todas as discussões mais toscas. De todas as diferenças, as nossas eram as únicas que combinavam como iguais.

Sabe, a gente sempre se equilibrou exatamente bem. Você o louco impulsivo e eu a estrategista meticulosa. E morri um pouquinho toda vez que você deixava claro o quanto nós erramos bons, e apenas, amigos.

Não tenho condições de te olhar, de ver seus erros com a clareza que só um amigo vê e ampliar seus pontos fortes como só um apaixonado shakespeariano seria capaz. Machuca sua indiferença de amigo e me alimenta a esperança seu ciúmes doentio.

É contraditório como nossa relação sempre foi.

Preciso de quilômetros. Preciso esquecer seu apoio, perdoar seus erros e lembrar o que éramos antes precisarmos um do outro. Antes de ser apaixonada pela pessoa mais errada desse mundo.


Um comentário:

  1. Sabe seu texto me deixou um tanto triste, por uns minutos..
    belas palavras..

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