6 de dezembro de 2012

Eu não sou Piegas!

Imagem:  olhares.sapo.pt 
Tem coisa mais piegas que a palavra Piegas? Eu passei dias tentando escrever uma crônica sobre ser ou não ser piegas e ainda não descobri o que eu queria dizer exatamente.

adj.m e adj.f. Sentimentalismo exagerado: música piegas.
adj.m. adj.f. s.m e s.f. Algo ou alguém que possui maneiras incrivelmente ridículas.

Tudo errado.

No popular, piegas está entrelaçado com romantismo. Historicamente, isso pode ter originado na literatura, onde dizia que o romantismo era artificial, centrado na imaginação e utópico. Não acho, mas também não vou discutir literatura com vocês.

Acabamos por usar "piegas" para referir tudo que tenha um apelo exagerado a emoção: Gente reclamona, jornal sensacionalista, namorado grudento, esse povo que é meio manteiga-derretida, TITANIC... Sentiram o drama?

Mas, por favor, quem tem tempo para mimimi hoje em dia? Vejam, sou mulher... Acho bacana flores, chocolate e cineminha, mas sem drama. Sem grude. Sem forever. Sem pieguismo. Pé no chão, por favor.

O motivo para livro românticos (leia-se Nicholas Sparks) não me ganharem. Esse excesso de tudo não me parece verdadeiro. O amor desmedido e imediato... a dor incalculável em perder alguém - não digo em relação a morte. Ao Mr. Darcy está permitido amar irremediavelmente. Ele e os séculos passados, estão irremediavelmente autorizados a serem piegas.

Mas, hoje? Quase ninguém tem paciência para essa overdose de sentimentalismo. Me chamem de mal amada, amargurada ou o que for. No séculos que vivemos, depender da outra metade da laranja para viver, é inviável e potencialmente insano. Depender das outras pessoas então? Minha mãe me disse outro dia: "Você nasceu grudado com alguém?" Pura verdade.

Vivemos no tempo do agora. Não que as coisas não possam durar muitos e muitos anos, mas sem a obrigatoriedade de bodas de ouro, sem sofrer de dores eternas, sem jornais que derramam sangue em cada página.

Não me condenem, já disse. A questão não é amar. A questão é sofrer de amores como se não houvesse amanhã por alguém que você conheceu ontem. Ou se trancar em casa por que a amiga não quis ir contigo no cinema. As coisas podem simplesmente acontecer e caminharem para o E Foram feliz para sempre... sem drama.

Já disse alguém em alguma aula de Administração: Quem espera fecha as portas. Talvez seja algo como quem sofre demais, perde a hora de ser feliz.

4 comentários:

  1. Bom, escreveu muito bem Lorena, porque eu gostei MUITO!

    Sinceramente entendo essa coisa de ser piegas como você descreveu. E existem romances e romances.

    A frase "Ao Mr. Darcy está permitido amar irremediavelmente" foi realmente muito acertada.

    E não acredito que isso seja ser mal amada e afins, apenas é opinião e não gostar de "pieguice". Além disso, grude é ruim demaaaaaaais!

    :**

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  2. Bem, primeiramente, como as coisas mudaram por aqui!! Gente, tá super fofo. E segunda(mente?) isso me fez lembrar a saga Crepúsculo, eu amo, mas esse fanatismo que Bella tem pelo seu amado Edward a fim de morrer, se jogar da ponte e virar uma sanguessuga por ele, não sei se eu faria o mesmo. A verdade é que ainda não encontrei um amor tão grande assim para servir de testemunho. A individualidade é algo importante em um relacionamento. Enfim, preciso de alguém para amar!!!! HELP. kkkk bjo linda.

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  3. Amei o texto! É exatamente o que eu sempre pensei... E não se trata de ser insensível, frígida ou amar de menos. Essa galerinha acha que tudo é Crepúsculo, que tem que ser uma pamonha dependente do seu homem lindo-rico-maravilhoso. Quando eu lia Crepúsculo não podia acreditar que as adolescentes estavam tomando como modelo uma garota tão fútil e dependente (sim, fútil. Ela podia ler muito, e ler clássicos. Mas não tinha vida própria, rejeitava seus amigos humanos e queria viver a vida de seu namorado. Os livros estavam lá pra enfeitar, e ela pegar de exemplo um amor dependente que não existe).
    Outra coisa que me lembro, é que todo mundo mundo quer um amor Romeu e Julieta. A história é linda, Shakespeare é o cara. Mas ninguém percebe que o senhor Will Shakespeare era tão o cara que colocou os dois protagonistas MUITO JOVENS (pode procurar lá, cita que Julieta tinha somente 14 primaveras). Acho que a história é muito mais que um amor eterno, também é uma dura crítica a efemeridade e inconstância dos jovens (adolescentes, diríamos hoje em dia). Romeu era eternamente apaixonado por Rosalina no começo da história, passou Julieta na frente dele, e ele onde está Rosalina?

    A finalização do seu texto não poderia ser mais perfeita. É possível caminhar pra um felizes-pra-sempre sem drama. é hora de se jogar fora este Romantismo ultrapassado (e digo Romantismo com R maiúsculo mesmo, porque tem gente que quer viver naquela época, sem realmente refletir sobre o que foi aquela época) e viver na Contemporaneidade. Nesta vida moderna e individualista, não valorizar o eternamente, mas o hoje e as pequenas coisas.

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    Respostas
    1. Isso, Debora! Nossa, exatamente o que eu queria dizer.

      Quando eu li Crepúsculo, eu adora aquilo tudo. Hoje, não consigo lembrar porque eu gostava. Acho que isso vem com o amadurecimentos das pessoas... faz parte da vida, só que tem gente que pula essa parte de amadurecer e vive sonhando com o príncipe para sempre.

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