17 de março de 2012

Primeiro dia.


À frente, o homem continuava a lecionar sem interromper o monologo longo e tedioso.

A sala, envolta em um silêncio mais coagido que respeitoso, continuava a vaguear, rabiscar e assentir a cada palavra sem nem sequer lembrar o que se trata.

Sentada sob a janela, olhava o ir e vir de pessoas no andar inferior com mais interesse. Em profunda abstração.

Um toque contido a porta e um pedido de licença cortes chama a atenção de alguns viajantes:

- Licença, aula de filosofia? – a voz profunda atrai mais olhares femininos que masculinos.

- Primeira aula? – Pergunta o professor com algum sarcasmo. – Nossa quinta.

Sentou-se na única cadeira vazia. Logo à frente. De onde estava, via apenas seu cabelo cor de bronze e costas largas.

Uma infinidade de minutos depois, e um dispensados, levanta-se com menos de um terço da polidez inicial e some entre tantos outros rostos sem deixar, se quer a cor dos olhos.

De qualquer sorte, haveriam outros 25 encontros.

Imagem: GettyImages

2 comentários:

  1. Que lindo texto Lorena.
    E parece que eu vi uns suspiros no ar.. rs

    Quero saber a cor desses olhos dps.

    E como assim a foto eh do gettyimages?
    Jurei que era vc! x)

    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Nossa, adorei esse texto! Queria que esse tipo de coisa tivesse acontecido comigo na faculdade (afinal lugar novo, pessoas novas). Mas é pedir demais quando se trata da minha pessoa.

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