8 de fevereiro de 2012

3 nós do Senhor do Bonfim..

Uma dos lugares que mais marcou minha infância, sem dúvidas, foi a igreja do Bonfim. Mais que a beleza em si, o templo emana uma aurea de espiritualidade, fé e história indescritível!

Chegamos umas 18hrs – no maldito horário de verão - e como estava tendo missa, era muita cara de pau tirar foto de dentro da igreja. Seria algo do tipo: “Licença seu padre, sou blogueira e quero tirar umas fotos do altar.”; Ou “Moça, chega para lá que eu preciso tirar uma foto dali”.


A primeira missa realizada no Bonfim foi em 1754, pedido do capitão-de-mar-e-guerra da marinha portuguesa, Theodózio Rodrigues de Faria. Como pagamento de uma promessa ele trouxe as imagens do Senhor Jesus do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia, a Salvador, sendo estes até hoje os padroeiros da igreja. 
Todo sincretismo da igreja é, com certeza, demostrado em plenitude no segundo domingo de janeiro, depois do Dia de Reis. Onde uma multidão toma conta das escadarias da igreja, na Lavagem do Bonfim. Confesso nunca ter ido, mais por falta de companhia que vontade.


A partir de 1773, a "irmandade dos devotos leigos" fazia com que os escravos lavassem as escadarias da igreja como preparativo para a Festa do Bonfim. Com o tempo, O senhor do Bonfim, passou a ser conhecido com  Oxalá no candomblé e a lavagem do Bonfim passou a ser um festa ecumênica. As mães e filhas de santo se reúnem então para lavar as escadarias, na ocasião as porta da igreja permanecem fechadas.
É uma festa enorme, linda e com uma carga de  espiritualidade e fé exorbitante. As grades da igreja se enchem de fitinhas, promessas e pedidos de benção ao Nosso senhor do Bonfim. Falando em fitas do Bonfim...


Turista que se preze, e bom baiano, não passam por Salvador sem uma fitinha do Bonfim. Na tradição, a fita é enrolada no punho e presa por três nós, a cada nó fazemos um pedido silencioso, que deve ser mantido em segredo até a fita se romper. Eu estou sempre com uma fitinha amarrada no punho esquerdo. Quando ela rompe eu já esqueci o pedido, mas se lembrasse, diria com certeza que meus pedidos sempre se realizam.
A fita original foi criada em 1809. Conhecida como medida do Bonfim, o seu nome devia-se ao fato de que media exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da imagem de Senhor do Bonfim.  Era usada no pescoço como um colar funcionando como uma moeda de troca: ao pagar uma promessa, o fiel carregava uma foto ou uma pequena escultura de cera representando a parte do corpo curada com o auxílio de senhor do Bonfim. 

Como tudo por esses lados, essa tradição também tem uma carga de cultura africana. Cada cor simboliza um Orixá do Candomblé. Procurei no Oráculo Google, mas ele não consegui encontrar todos os significados.
Grade da Igreja. Fitinhas amarradas em busca de benção e agradecimento.
Passamos pouco mais de meia-hora nas imediações da igreja. E ver a fé que se tem no senhor do Bonfim é incrível. Vi pessoas subindo a escadaria de joelhos; Eu que amarrei uma fitinha na grade da igreja em agradecimento, as grades por sinal, estavam completamente cheias de fitas por que a festa do Bonfim havia ocorrido dias antes; 

Na lateral da igreja, os fieis utilizam esse espaço para acender velas a Senhor do Bonfim e Nossa senhora da Guia.
Há uma sala, Sala dos milagres, - repito que não pude tirar fotos porque a igreja estava repleta - em que as pessoas que alcançaram alguma graça colocam fotos, estátuas em gesso ou plastico da parte do corpo que foi abençoada - como na tradição em que a medida do Bonfim era amarrada ao pescoço com a representação da parte do corpo abençoada. - Confesso ficar apavorada nessa sala quando criança... só pessoalmente para você ver como é a sensação.
 Praça do lado direito da igreja, descendo umas escadarias.  Não sei o nome desse lugar.   
Tem muitos outros ambiente que estavam fechados, não sei se pela hora ou por reforma. Na verdade, visitar é incrivelmente melhor e então você poderá tirar suas próprias conclusões.

Também não posso dizer que o Bonfim só tem maravilhas. Há problemas como em todo lugar. As recomendações a todos os visitantes de cuidado com a câmera fotográfica, não se afaste do grupo, evite ir sozinho a noite e todas essas coisas continuam válidas para qualquer ponto turístico, ou não, das grandes cidades.

Dados técnicos e históricos sobre a igreja na Wikipedia.
Esse texto teve a colaboração de Fernanda Couto.


Reprodução Total ou Parcial das imagens PROIBIDA.Com base na obra disponível em milalices.blogspot.com.
Os Direitos autorais são protegidos pela lei 9610/98. Copiar arquivos sem prévia autorização é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal Brasileiro.

Essa viagem começou aqui.

4 comentários:

  1. Ah deve ser muito legal ir conhecer a Bahia! Um dia quero ter esse privilégio... Talvez demore um pouco, afinal moro um pouquinho longe..Curitiba/PR..Haha Eu não sabia dessa tradição do Senhor do Bomfim! A história das fitinhas na verdade eu conhecia, mas não tinha noção do tamanho da fé das pessoas! Um beijo! :*

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  2. Também tenho muuita vontade de conhecer Salvador! deve ser uma delícia de lugar, com pessoas muito legais tbm!
    adorei!

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  3. Coisa linda essa grade com as fitinhas! Deve dar umas fotos coloridíssimas. :) E a segunda foto do post tá linda!

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  4. Lorena,
    estou encantada com suas fotos! cada uma mais linda que a outra! eu adoro igrejas, ainda mais com tanta historia assim.

    Ainda tenho um sonho de ir a Salvador, qdo eu voltar pra ae eh certeza.

    Eu tinha umas fitinhas, sempre que alguma prima ou amiga ia, trazia pra mim! teve uma que demorou anos pra se desfazer.. hj em dia eu questiono sobre a fe que eu colocava nelas! que eh claro que eu nao vou duvidar, achava mto bom fazer os desejos.. ;]

    Beijos!

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